
14.01.2026
Argentina e Brasil abraçam-se: A Dança dos Ritmos do Atlântico
Este concerto, verdadeiramente vibrante, apresentado pela Orquestra do Algarve no Cineteatro Louletano, no próximo dia 23 de janeiro, é um convite a uma travessia musical que une as tradições da Argentina e do Brasil. Sob a direção do maestro Pablo Urbina e com o virtuoso acordeonista João Barradas como solista, o programa reflete a fusão de influências culturais do tango argentino e das formas musicais brasileiras. O repertório é enriquecido por uma obra interativa de Evgueni Zoudilkine, culminando a residência artística de Barradas numa experiência que não só celebra a música orquestral, mas também envolve o público ativamente numa experiência irrepetível imersiva e inesquecível.
Evgueni Zoudilkine (n. 1965): Concerto para Acordeão, Público e Orquestra (2020)
Evgueni Zoudilkine, compositor russo radicado em Portugal, representa uma voz contemporânea na música erudita, explorando frequentemente a interação inovadora entre intérpretes e audiência. Este concerto, composto em 2020, transforma o público em protagonista ativo: dirigido pelo maestro Pablo Urbina, a plateia receberá instruções sobre o seu papel – sonoro, musical e rítmico. Esta dimensão interativa dissolve a barreira entre palco e plateia, fomentando uma reflexão sobre a natureza coletiva da arte musical.
Astor Piazzolla (1921-1992): Concierto de Aconcagua (1979)
Astor Piazzolla, ícone do tango argentino, revolucionou o género ao fundi-lo com elementos clássicos e jazzísticos, criando o "nuevo tango". O Concierto de Aconcagua, uma das suas obras mais emblemáticas, foi originalmente concebido para bandoneón e orquestra, mas é aqui adaptado para acordeão por João Barradas, ampliando as possibilidades timbrísticas.
Estruturado em três andamentos clássicos, o concerto evoca a pulsação intensa do tango, prossegue para um movimento lírico e melancólico, e culmina num finale enérgico. A obra reflete a dualidade de Piazzolla: a nostalgia portenha misturada com a sofisticação orquestral.
Nestor de Hollanda Cavalcanti (n. 1949): Divertimento... mesmo! (1982, rev. 2009)
Nestor de Hollanda Cavalcanti, compositor brasileiro, integra ritmos populares com estruturas eruditas numa fusão acessível e humorística. O Divertimento... mesmo! (originalmente para noneto, revisto para orquestra de câmara) exemplifica essa abordagem lúdica, brincando com géneros tradicionais brasileiros e europeus. Dividida em quatro movimentos (Dança bastante sensual, É um samba... ou quase, Uma valsa rápida, Final bem rápido), a peça subverte expectativas com ironia e vitalidade rítmica, ligando-se tematicamente ao repertório argentino através da dança como elemento unificador.
Astor Piazzolla (1921-1992): Tangazo (Variations on Buenos Aires) (1969)
Regressando a Piazzolla, o programa encerra com Tangazo, uma obra orquestral de 1969. Sem solista, Tangazo foca na orquestra como entidade coletiva, com harmonias pungentes e ritmos que capturam a essência urbana e melancólica da capital argentina, fechando o arco temático do concerto com uma celebração da identidade sul-americana.
Após o concerto, o público é convidado para "Uma Nota Mais", um encontro descontraído com o maestro Pablo Urbina e solista João Barradas. Num momento curto e cordial, trocam-se ideias e histórias inspiradas na música ouvida, aprofundando a experiência artística e reforçando o compromisso da Orquestra do Algarve com a mediação cultural.
Rui Baeta,
14 de janeiro de 2026
14.01.2026
Argentina e Brasil abraçam-se: A Dança dos Ritmos do Atlântico
Este concerto, verdadeiramente vibrante, apresentado pela Orquestra do Algarve no Cineteatro Louletano, no próximo dia 23 de janeiro, é um convite a uma travessia musical que une as tradições da Argentina e do Brasil. Sob a direção do maestro Pablo Urbina e com o virtuoso acordeonista João Barradas como solista, o programa reflete a fusão de influências culturais do tango argentino e das formas musicais brasileiras. O repertório é enriquecido por uma obra interativa de Evgueni Zoudilkine, culminando a residência artística de Barradas numa experiência que não só celebra a música orquestral, mas também envolve o público ativamente numa experiência irrepetível imersiva e inesquecível.
Evgueni Zoudilkine (n. 1965): Concerto para Acordeão, Público e Orquestra (2020)
Evgueni Zoudilkine, compositor russo radicado em Portugal, representa uma voz contemporânea na música erudita, explorando frequentemente a interação inovadora entre intérpretes e audiência. Este concerto, composto em 2020, transforma o público em protagonista ativo: dirigido pelo maestro Pablo Urbina, a plateia receberá instruções sobre o seu papel – sonoro, musical e rítmico. Esta dimensão interativa dissolve a barreira entre palco e plateia, fomentando uma reflexão sobre a natureza coletiva da arte musical.
Astor Piazzolla (1921-1992): Concierto de Aconcagua (1979)
Astor Piazzolla, ícone do tango argentino, revolucionou o género ao fundi-lo com elementos clássicos e jazzísticos, criando o "nuevo tango". O Concierto de Aconcagua, uma das suas obras mais emblemáticas, foi originalmente concebido para bandoneón e orquestra, mas é aqui adaptado para acordeão por João Barradas, ampliando as possibilidades timbrísticas.
Estruturado em três andamentos clássicos, o concerto evoca a pulsação intensa do tango, prossegue para um movimento lírico e melancólico, e culmina num finale enérgico. A obra reflete a dualidade de Piazzolla: a nostalgia portenha misturada com a sofisticação orquestral.
Nestor de Hollanda Cavalcanti (n. 1949): Divertimento... mesmo! (1982, rev. 2009)
Nestor de Hollanda Cavalcanti, compositor brasileiro, integra ritmos populares com estruturas eruditas numa fusão acessível e humorística. O Divertimento... mesmo! (originalmente para noneto, revisto para orquestra de câmara) exemplifica essa abordagem lúdica, brincando com géneros tradicionais brasileiros e europeus. Dividida em quatro movimentos (Dança bastante sensual, É um samba... ou quase, Uma valsa rápida, Final bem rápido), a peça subverte expectativas com ironia e vitalidade rítmica, ligando-se tematicamente ao repertório argentino através da dança como elemento unificador.
Astor Piazzolla (1921-1992): Tangazo (Variations on Buenos Aires) (1969)
Regressando a Piazzolla, o programa encerra com Tangazo, uma obra orquestral de 1969. Sem solista, Tangazo foca na orquestra como entidade coletiva, com harmonias pungentes e ritmos que capturam a essência urbana e melancólica da capital argentina, fechando o arco temático do concerto com uma celebração da identidade sul-americana.
Após o concerto, o público é convidado para "Uma Nota Mais", um encontro descontraído com o maestro Pablo Urbina e solista João Barradas. Num momento curto e cordial, trocam-se ideias e histórias inspiradas na música ouvida, aprofundando a experiência artística e reforçando o compromisso da Orquestra do Algarve com a mediação cultural.
Rui Baeta,
14 de janeiro de 2026
